Considerações de Edgard Morin e a teoria de saúde e doença


Psicóloga Daniela Souza

Edgar Morin é considerado um dos pensadores mais importantes do século XX e XXi. Possui formação em antropologia, sociologia e filosofia, francês e judeu de origem sefardita. Pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique). Formado também em Direito, História e Geografia, realizou estudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Autor de mais de trinta livros, entre eles: O métodoIntrodução ao pensamento complexo, Ciência com consciência e Os sete saberes necessários para a educação do futuro. É considerado um dos principais pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos da complexidade.

A teoria da complexidade aborda o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico. Discute sem dividir: a palavra complexus retira daí seu primeiro sentido, ou seja, “o que é tecido junto”.

A segunda linha fundamental é a imprevisibilidade. Um pensamento complexo deve ser capaz de não apenas religar, mas de adotar uma postura em relação à incerteza. O pensamento capaz de lidar com a incerteza existe no domínio das ciências, mas não nos âmbitos social, econômico, psicológico e histórico. O terceiro ponto é a oposição da racionalização fechada à racionalidade aberta, onde é incapaz de fazer previsões quando surgem eventos inesperados.

A teoria da complexidade, nos seus principais elementos de não-linearidade, sistemas dinâmicos, borrosidade, fractalidade e teoria das redes, permite a construção de modelos que dão conta de aspectos parciais do problema, do processo ou dos fenômenos da saúde-doença.

O objeto saúde/doença só pode ser entendido pela consideração plena e integral da sua multiplicidade, como rede complexa composta por dimensões de patogênese e salutogênese. Isso significa que, a cada momento, nós produzimos saúde e produzimos doença, conforme as diferentes possibilidades de expressão em cada nível.

O motivo da exclusão do fenômeno da cura da ciência biomédica é evidente. É um fenômeno que não pode ser entendido em termos reducionistas. Isso se aplica à cura de ferimentos e, sobretudo, à cura de doenças, o que geralmente envolve uma complexa interação entre os aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais da condição humana. Reincorporar a noção de cura à teoria e à prática da medicina, significa que a ciência médica ter· que transcender sua estreita concepção de saúde e doença. Isso não quer dizer que ela tenha de ser menos científica. Pelo contrário, ao ampliar sua base conceitual pode tornar-se mais coerente com as recentes conquistas da ciência moderna.

Referência Bibliográfica:

MARCOLINO, E.N, HENRIQUES, R.D., ROJAS, L.I. A saúde sob uma perspectiva interdisciplinária: o Centro de Estudos de Saúde e Bem Estar Humanos – CESBH. Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, São Bernardo do Campo – SP, Universidade Metodista de São Paulo, 2006.

Disponível em: http://www.projetoradix.com.br/arq_artigo/IX_17.pdf

ALMEIDA FILHO, N. A Saúde e o Paradigma da Complexidade. Cadernos Instituto Humanitas Unisinos. Rio Grande do Sul, ano 4, n. 5, p. 1-43, 2006.

Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ihu/015cadernosihu.pdf

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Comments
One Response to “Considerações de Edgard Morin e a teoria de saúde e doença”
  1. Vladimir Andrei Rodrigues Arce disse:

    A idéia de cura sempre me foi instigante, principalmente quando penso em minha formação: fonoaudiólogo. Embora seja uma profissão com importantes influências do modelo biomédico e do positivismo, ter como “objeto” a linguagem humana me distanciava um pouco de uma clínica que buscasse a cura, ao passo em que me fazia aproximar muito mais de um entendimento processual, onde as singularidades gritavam aos olhos, e protocolos e técnicas não davam conta do processo de cuidado ao qual eu me dispunha. A idéia de complexidade contribuiu muito para que eu percebesse que um outro cuidado era possível, e este não passava pela proposta da cura.
    Na Saúde Mental também foi possível para mim vivenciar a construção de uma clínica outra, não alienadora, orientada para o sujeito e sua família a partir da interdisciplinaridade e da intersetorialidade. Contribuições que a idéia de complexidade evidencia e demanda.

    Vladimir Andrei Rodrigues Arce

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